A poesia está em tudo

Quarta-feira, 02 de Março de 2011

Mar de fósseis em cada esquina,

a urbe agoniza

com cheiro de maresia no asfalto.

Nas praças navegam horizontes apagados,

sem mapeamento possível,

num hemisfério de sucata.

Jornais nunca lidos espalham palavras

na sombra desses homens,

de borco uns, uns de lado,

mastigando guimbas com lábios cheios de felicidade.

Perdidas memórias nos arquivos,

houvesse algum tempo para reavê-las,

seria minúsculo.

Mas não há:

o tempo fendeu-se como falha geológica

geradora de mortos.

Também não há identidade

nas reentrâncias das ruas,

entre havaianas,

copos descartáveis,

a sopa da noite,

todos sangram por poros iguais,

cruzam a mesma praia nua.

Quem dera houvesse ao menos conchas.

 

                                   Sérgio Bernardo

 

 

 

publicado por Sérgio Bernardo às 02:14

De Cesar a 4 de Março de 2011 às 04:09
Muito bom, caro Sérgio! Pena que você não divulgue também no facebook! Parabéns!


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